MORTOS-VIVOS: UMA EX-CONFERÊNCIA


Nesta espécie de conferência à beira do abismo, quatro especialistas analisam a crise que os rodeia em busca de estratégias de sobrevivência. Enquanto são engolidos pelo caos, discutem temas como alteridade, xenofobia, tortura, a banalidade do mal, por que os seres humanos sentem um medo inato de serpentes e quais são as armas mais efetivas afinal para destruir um morto-vivo. O zumbi cambaleante mas incansável é o monstro por excelência de nosso tempo: ao mesmo tempo semelhante e diferente, patético e assustador, revelando o quão próxima a nossa civilização ainda se encontra da barbárie. Difundida pelo cinema, a TV e as histórias em quadrinhos, a imagem decomposta do zumbi tornou-se metáfora explorada tanto pela política quanto pela filosofia. O zumbi é sempre o outro, o que nos ameaça com sua presença. Para enfrentá-lo, todas as armas são permitidas: o preconceito, o isolamento, a agressão, a destruição.


"O texto é requintado. Irônico. O universo ficcional se cria como uma poderosa metáfora sobre o contexto político brasileiro em que as pessoas deixaram se levar por suas obsessões ao ponto de se tornarem irreconhecíveis por sua agressividade para com amigos e pessoas de seu círculo próximo. Quem seria, portanto, o zumbi a que se refere o texto? Não há propriamente uma indicação precisa a esse respeito. Não há uma caracterização incisiva. Evitou-se, portanto, a armadilha de identificar em um espectro político, o que retiraria a complexidade e o convite à reflexão que se faz."
Astier Basílio | Painel Crítico

"O texto de Alex Cassal é marcado por tiradas sagazes sobre as dinâmicas sociais que propiciam terreno fértil para a segregação e a violência. O zumbi é uma metáfora perfeita para falar sobre o Brasil de hoje, polarizado, em que o ataque às liberdades individuais e às minorias é cada vez mais banalizado. O grupo provoca: tirada a humanidade de qualquer grupo ou indivíduo, o que impede atrocidades de serem cometidas?"
Márcio Bastos | Terceiro Ato

 [EQUIPE]
texto | Alex Cassal
direção | Renato Linhares
elenco | Felipe Rocha, Lucas Canavarro, Renato Linhares e Stella Rabello
assistência de direção | Fábio Osório Monteiro
colaboração artística | Marina Provenzzano e Tereza Alvarez
desenho de luz | Tomás Ribas
cenário | Estudio Chão - Adriano Carneiro de Mendonça e Antonio Pedro Coutinho
figurinos | Antonio Medeiros e Guilherme Kato
caracterização | Rodrigo Bastos
trilha sonora | Domenico Lancellotti
foto | Francisco Costa
direção de produção | Tatiana Garcias
produção executiva | Náshara Silveira
realização | Foguetes Maravilha

Texto escrito com suporte da Residência Días Hábiles - O Espaço do Tempo, Montemor-o-Novo, Portugal, 2016.

[ESTREIA]
Galpão Gamboa | Rio de Janeiro RJ | 16 a 25 de setembro de 2017

[DATAS]
Espaço Cultural Sérgio Porto - Projeto Entre | Rio de Janeiro RJ | 2018
FIT - Festival Internacional de Teatro | São José Rio Preto SP | 2018
Festival Cena Brasil Internacional (em processo) | Rio de Janeiro RJ | 2017
Mostra Hífen (leitura encenada) | Rio de Janeiro RJ | 2016

[IMPRENSA]
Ninguém nasce zumbi: torna-se zumbi | Astier Basílio | São José do Rio Preto SP, 2018
Foguetes Maravilha estuda a intolerância em ‘Mortos Vivos: Uma Ex-Conferência’ | Márcio Bastos | Recife PE, 2018

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